Meteorologia entre quatro paredes
- Rafaela Chor
- 8 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
É estranho pensar que há alguns meses eu nem sabia da sua existência. Não sabia seu endereço, seu número de telefone, seu gosto musical e como você gosta de ser carinhosamente chamada.
Não fazia ideia de como o amor se comportava, saindo de seus lábios e escorrendo pelo seu peito. E a ideia de você me era tão inalcançável e inatingível que eu havia até desistido de escorrer também.
Virar cachoeira nunca foi meu objetivo, eu pensei que estivesse com barragem, blindada para não deixar nada entrar. Mas você encontrou uma fresta e minha parede foi rachando até se romper por inteira. Você sabia que eu não havia nascido para ser represa, estagnada.
Desaguei em teu colo com toda a intensidade de quem experimenta um amor novo. Um amor quase adolescente, de tão puro e ingênuo. Digo ingênuo porque nós não fazíamos ideia de onde isso poderia chegar.
Você chegou até a porta da minha casa sem nem ao menos eu te dizer onde moro. Mas o amor tem dessas de fazer com que as pessoas se encontrem mesmo em retas paralelas.
A verdade é que eu não queria um novo amor e nem você. Mas aparentemente ele nos deu uma rasteira até que caíssemos juntas no meu colchão que, ,, te recebeu muito bem.
A cada toque, uma música ressoava em meus tímpanos. A cada beijo, um arrepio em lugares nos quais eu nem sabia que tinha sensibilidade. Todo o sabor que há nessa vida eu degustei em teu corpo, e isso diz muito sobre a doçura da sua pele.
Toda viagem no céu da sua boca me custou um impulso que vai desde o cóccix até o pescoço, e você cobrava toda vez querendo que eu dançasse. Para mim, dançar na frente de alguém é um puro sinal de confiança e abertura.
Eu dancei, mesmo sem saber como. Você me embalou na batida do seu peito e trocou sua posição para se movimentar lentamente à minha frente. Tudo o que é estático se petrifica dentro do corpo e nós sabemos desde o início que somos água em movimento.
A cada metro de profundidade, nossa pressão diminui, ao contrário de outros cenários. Quanto mais mergulhamos uma na outra, menos sentimos inseguranças.
Nossa maré está alta, meu bem, com chance de chuva constante entre quatro paredes.







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