Às pessoas impulsivas
- Rafaela Chor
- 6 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
As pessoas tendem a me chamar de impulsiva. Eu não sei se concordo ou discordo.
Só sei que eu vivo cada momento sem dar um passo para trás com medo do que pode acontecer. Não digo isso como se eu não tivesse medo, eu tenho, e muito. Porém, deixar com que ele te paralise é simplesmente ruim.
Se eu sentir algo por uma pessoa, eu não hesitarei em dizer para ela como me sinto, por mais que faça papel de tola caso ela não sinta o mesmo. Não consigo deixar que o momento passe sem que eu tire o máximo de proveito dele.
Mesmo com a ansiedade tomando conta do meu cérebro, eu tento me desconectar do mundo lá fora e focar naquilo que realmente importa, meus sentimentos.
Já tive experiências ruins com o fato de guardar informações e declarações de afeto apenas para mim. Certa vez, minha tia-avó me ligou, como de rotina, e eu queria ter dito que a amava, porém, não disse por vergonha.
Quando desliguei o telefone, pensei (não sei o porquê) que essa era a última vez que falaria com ela. Semanas depois, recebi a notícia de que ela havia falecido. Aquilo me veio como um golpe no peito com uma cicatriz que ninguém tira.
O ser humano é perecível, e a cada momento algo pode acontecer, seja algo bom ou ruim. Não entendo esse pensamento de guardar os sentimentos pelo fato de parecer “fácil” ou “vulnerável” para o outro.
Eu penso “que bom que a libertação do sentimento foi fácil”, enquanto os outros veem isso como algo ruim. Não consigo colocar na cabeça isso como algo natural. O sentimento, para mim, sempre foi tão importante e potente que é fácil colocá-los para fora. Entendo que para muitas pessoas colocá-los para fora seja uma tarefa difícil, mas a escolha de não colocá-los fora que não entendo.
Se alguém possui dificuldade em falar o que sente, jamais julgaria suas atitudes. Mas se a pessoa esconde por apenas esconder, eu lamento muito que isso esteja acontecendo.
Porque não há nada mais lindo do que demonstrar o amor, a tristeza, se mostrar vulnerável e crua para o outro, só assim vocês terão uma conexão profunda de confiança.
Relações rasas não fazem o meu tipo. E não digo isso apenas sobre relações amorosas, amizades rasas também não me interessam. É engraçado como existem diferentes tipos de amigos. Amigos para ir em baladas, mas não amigos para visitar a sua casa em um dia em que você estiver para baixo. Amigos de bar, mas não amigos que te acompanham em um velório de um familiar.
Não sei o que aconteceu, mas parece que depois de alguns anos da vida adulta eu percebi que as amizades de verdade estão cada vez mais raras. É quase como um item de colecionador.
As pessoas me julgam por compartilhar demais, por ser impulsiva demais, por sentir demais e eu simplesmente estou cansada de ser rotulada como inconsequente.
Eu sei muito bem das consequências, mas prefiro mais um joelho ralado de uma queda por compartilhar demais do que ter uma palavra presa em formato de tumor que faz com que meu peito doa a cada passo que dou na direção oposta da que gostaria de estar caminhando.
A verdade é que não existe certo e errado, porém digo com propriedade que ser “impulsiva” tem me levado a sentir coisas incríveis e ter momentos encantadores.
Assim como momentos de tristeza e de queda que fazem parte da vida de qualquer um que se abra a possibilidades.
Mas acredito todos os dias que sentimento foi feito para o mundo, e não para ser guardado em redoma, sufocado, buscando a libertação. Quem decide tudo o que sai é o meu peito que pulsa pelo novo, pelo curioso e pelo desconhecido.
Eu, como artista, me proponho a sentir cada instante por inteiro, porque são eles que me dão o combustível para produzir. Afinal, que tipo de artista eu seria se me contentasse com a sombra?
Eu jamais sentiria o calor na pele ao dar o passo em direção a luz do sol. E adivinha só, quando eu fizer realmente a travessia para a luz, eu quero ser lembrada como um ser humano que sentiu com intensidade a cada minuto.
E se quiserem escrever em minha lápide “Viveu impulsivamente”, eu vou levar como um grande e belo elogio.







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